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Itens da alimentação puxam a inflação em Porto Alegre
Cinco dos sete segmentos analisados apresentaram elevação no IPC-S.
Fonte: Jornal do Comércio

Com peso de quase 30% nas despesas das famílias de Porto Alegre, a alimentação é a vilã da aceleração da inflação na largada do ano. O grupo subiu 3,08% nos últimos 30 dias e turbinou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que ficou em 1,37% na primeira semana de março, 0,34 ponto percentual acima da apuração da quarta semana de fevereiro (de 1,03%). A taxa assegurou à Capital mais uma vez a liderança do IPC-S entre as sete localidades pesquisadas.
No novo levantamento, cinco das sete classes de despesa componentes do índice apresentaram aceleração.

Vestuário reduziu o ímpeto de queda e passou de -0,63% para -0,26% entre a última semana de fevereiro e os primeiros sete dias de março. Saúde e cuidados pessoais ficaram em 0,56%, habitação, em 0,48%, educação, leitura e recreação, em 0,21%, e despesas diversas em 0,21%. O coordenador do escritório de Porto Alegre do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Márcio Mendes da Silva, aponta que a inflação da alimentação subiu quase 50% frente ao período anterior da pesquisa, que havia registrado correção de 2,09%. As hortaliças e os legumes se destacam nos gêneros alimentícios com maior elevação, chegando 14,88%.

A alface mantém a escalada e registrou aumento de 41,38%. Segundo Silva, os aumentos seguem efeito de oferta sazonal e também as perdas dos cultivos ante os problemas climáticos verificados mais intensamente em janeiro e fevereiro. Em 12 meses, o grupo subiu 28,6%. "A alta é violenta", qualifica Silva. Para ele, as dificuldades da oferta podem continuar. Os gêneros alimentícios revelam com mais força o impacto de variação de alguns itens com reajuste de 4,66% em 30 dias. Entre janeiro e fevereiro, a elevação foi de 2,65%. A inflação dos dois meses foi de 1,79%.

Por outro lado, o IPC-S mostrou queda de preços de carnes bovinas, feijão e arroz, que tiveram maiores elevações em 2009. O frango manteve elevação, considerada por produtores, retomada de valores que despencaram no ano passado. A farinha de trigo, que pode sofrer correções nos próximos meses ante as retaliações a importação de trigo dos Estados Unidos, tem leve alta de 0,58%. O preço do pãozinho de 50 gramas caiu 1,35% em 30 dias.

O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Fernando Ferrari ressalta que as acelerações registradas nos índices de inflação divulgados esta semana já eram previsíveis. Ferrari aponta como causa a sazonalidade que atinge a oferta de produtos no segmento de hortigrangeiros, além da concentração de reajustes de mensalidades e transportes públicos, pagamento de tributos e compra de itens como material escolar nos dois primeiros meses do ano.

"Talvez a intensidade das correções não foi prevista neste nível", adverte o professor, indicando que condições climáticas, com mais chuvas e altas temperaturas, afetaram muitas culturas e produções, reduzindo o abastecimento. Ferrari não considera preocupante o atual nível da inflação anual, entre 4,5% e 4,8%. Ele lembra que o intervalo de variação dos preços previsto na política econômica é de 2,5% a 6,5%. Mesmo com repique, o professor descarta alcançar o teto de correção. "Parece sem sentido defender a elevação da Selic devido à inflação", criticou. Para Ferrari, há ambiente de crescimento da economia, com previsão mais pessimista em 5,5% em 2010. O aumento da taxa básica de juros poderia ter efeito na valorização cambial e comprometer o equilíbrio das contas públicas.

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